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Maio Laranja mobiliza escolas, rede de proteção e comunidade em Breves com ações do Instituto Mondó

Diário de Bordo 01/06/2026

Entre os dias 18 e 29 de maio, o município de Breves, no Arquipélago do Marajó, recebeu uma série de ações de conscientização e fortalecimento da rede de proteção à infância promovidas pelo projeto Marajó Protegido, iniciativa do Instituto Mondó com apoio da Vale e parceiros locais. A programação integrou a mobilização nacional do Maio Laranja, campanha de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes em parceria com a Vale e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), integrando a programação do Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal 2026.

Ao longo da mobilização, escolas, comunidades, profissionais da rede pública e organizações locais participaram de atividades voltadas à prevenção das violências, disseminação de informações e fortalecimento das estratégias de proteção no território.

Criado para ampliar o debate sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes, o Maio Laranja marca o 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data relembra o caso Araceli Cabrera Sánchez Crespo, menina de oito anos assassinada em 1973, em um crime que se tornou símbolo da luta pelos direitos da infância no Brasil.

O tema segue como um desafio nacional. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que o Disque 100 registrou mais de 657 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024. Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente em casos de violência sexual, que atingem majoritariamente meninas e, muitas vezes, acontecem dentro do ambiente familiar.

No Pará, o cenário também preocupa. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram índices elevados de violência sexual contra crianças e adolescentes, sobretudo em regiões marcadas por vulnerabilidades sociais e dificuldades de acesso a serviços públicos, como ocorre em municípios do Marajó.

Equipe do Instituto Mondó durante uma série de blitz educativas no porto de Breves, com panfletagem e aplicação de cartazes. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

Segundo Carolina Maciel, diretora executiva do Instituto Mondó, levar o debate sobre proteção da infância para dentro das comunidades amazônicas é parte essencial da atuação da organização no território.

“Falar sobre violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é um desafio em muitas comunidades. Por isso, criar espaços de diálogo, informação e fortalecimento da rede de proteção é fundamental para prevenir violações e garantir direitos”, afirmou.

Com foco na mobilização comunitária e no fortalecimento das ações preventivas, entre os dias 18 e 22 de maio foram realizadas uma série de blitz educativas no porto de Breves. A iniciativa envolveu empresas de navegação, hotéis, mercados e trabalhadores locais na disseminação de informações sobre prevenção e canais de denúncia.

Já entre os dias 19 e 21 de maio, escolas urbanas e rurais do município receberam atividades educativas voltadas a estudantes, professores e equipes pedagógicas. As ações abordaram proteção de direitos, identificação de sinais de violência, escuta qualificada e mecanismos de denúncia.

Um dos principais momentos da programação aconteceu no dia 22 de maio, com a realização do Workshop Marajó Protegido, no Auditório da Escola Bom Jesus, no centro de Breves.

Estudantes em atividades alusivas ao Maio Laranja, mês de conscientização e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

O encontro reuniu representantes do poder público, profissionais da assistência social, educação e saúde, conselhos de direitos, organizações sociais, lideranças comunitárias e integrantes da rede de proteção de crianças e adolescentes.

A programação contou com debates sobre abuso e exploração sexual, escuta protegida, prevenção às violências e fortalecimento do acesso à informação e aos direitos no território.

Para Lívia Peres, juíza auxiliar da Presidência do CNJ e coordenadora do Programa Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal, os desafios enfrentados no Marajó exigem atuação articulada entre diferentes instituições.

“Os obstáculos geográficos e a rotatividade dos profissionais que compõem a rede de proteção impactam significativamente numa atuação efetiva para combate e prevenção do abuso sexual de crianças e adolescentes”, afirmou.

Segundo a magistrada, iniciativas construídas de forma conjunta são fundamentais para ampliar a garantia de direitos em territórios marcados por vulnerabilidades sociais.

Alunos de Breves durante Workshop Marajó Protegido, no Auditório da Escola Bom Jesus, no centro da cidade. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

“Só uma atuação cooperada e transversal permite superar os obstáculos à efetivação de direitos em territórios de elevada vulnerabilidade”, destacou.

Carolina Maciel também ressaltou que o trabalho desenvolvido no território busca fortalecer vínculos entre comunidade, escolas e rede de proteção.

“O enfrentamento à violência sexual infantil passa pela construção coletiva de soluções. Nenhuma instituição consegue atuar sozinha em territórios desafiadores como o Marajó. É preciso articulação, presença contínua e escuta das comunidades”, pontuou.

Vinculada ao eixo de direitos humanos do programa de acompanhamento familiar Rede +, a programação também contou com apresentações culturais, momentos de interação e atividades colaborativas voltadas à construção de propostas para fortalecer políticas públicas locais.

Segundo o Instituto Mondó, a iniciativa buscou transformar o Maio Laranja em um espaço de mobilização coletiva e articulação entre diferentes setores da sociedade, ampliando o debate sobre proteção integral e fortalecendo a rede de cuidado de crianças e adolescentes no Marajó.

Se você gostou dessas iniciativas e acredita no potencial das tecnologias sociais para transformar realidades, o Instituto Mondó está pronto para levar essas experiências para o seu território ou organização. Trabalhamos com metodologias participativas, inovação social e fortalecimento de comunidades, sempre respeitando os saberes locais. Para saber mais sobre como implementar e apoiar essas soluções, entre em contato pelo e-mail: contato@institutomondo.org.br

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