Instituto Mondó reúne parceiros em São Paulo para pensar em novas rotas para a justiça social
Evento realizado na sede da Faesp reforçou conexões estratégicas e destacou a importância das parcerias para enfrentar desigualdades sociais
No Dia Mundial da Água, a discussão sobre escassez ganha força em todo o mundo. Na Amazônia, porém, especialmente no Marajó, o problema central não é a falta de água, mas o acesso à água potável e de qualidade. É nesse contexto que o Instituto Mondó vem atuando em diferentes frentes no território, a partir da escuta das comunidades e da construção de soluções conectadas aos desafios locais.
A região amazônica concentra uma das maiores reservas de água doce do planeta. Ainda assim, milhões de pessoas vivem sem acesso à água tratada no Brasil. Segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros não têm acesso regular à água potável, uma realidade que atinge de forma mais intensa a região Norte.
Apesar da abundância hídrica, o acesso à água potável na Amazônia é limitado por fatores estruturais. Dados do governo federal indicam que menos da metade da população da Amazônia Legal possui acesso a serviços adequados de abastecimento de água.
Em áreas rurais e ribeirinhas do Marajó, o cenário é ainda mais crítico. Muitas famílias dependem diretamente de rios, igarapés e poços improvisados. Nessas condições, o consumo de água sem tratamento adequado aumenta o risco de doenças de veiculação hídrica, como diarreia, hepatite A e infecções intestinais.
Aqui, a água está presente, mas nem sempre é segura. E esse dado tem efeitos diretos sobre a saúde, a rotina das famílias e a permanência de crianças e adolescentes na escola.

Água potável é um recurso escasso em muitas partes da região amazônica. (Foto: Everaldo Barreiros)
No arquipélago do Marajó, o acesso à água potável revela uma das faces mais evidentes da desigualdade hídrica no Brasil.
Em muitas comunidades, a água precisa ser coletada manualmente, o armazenamento é feito de forma improvisada e não há sistemas adequados de tratamento ou distribuição. Essa realidade transforma uma necessidade básica em um esforço diário e ajuda a explicar por que o tema da água precisa ser tratado como parte de uma agenda mais ampla de garantia de direitos.
No Instituto Mondó, esse desafio aparece de forma concreta no acompanhamento das famílias e comunidades do território. Falar de acesso à água, nesse contexto, é falar também de saúde pública, segurança alimentar, infraestrutura e condições reais para o desenvolvimento local.
As mudanças climáticas na Amazônia têm intensificado eventos extremos, como secas severas e cheias históricas. Em 2023, a região enfrentou uma das maiores estiagens já registradas, afetando diretamente o abastecimento de água.
Segundo o UNICEF, mais de 420 mil crianças foram impactadas pela seca na Amazônia, enfrentando dificuldades de acesso à água, alimentação e serviços básicos.
Além disso, estudos recentes apontam redução na superfície de água em algumas áreas da região, evidenciando que a crise hídrica na Amazônia já não é uma ameaça futura. Ela já afeta o cotidiano das populações e impõe novos desafios para a construção de soluções sustentáveis no território.
A desigualdade no acesso à água no Brasil não está distribuída de forma uniforme. Ela tem território, contexto social e efeitos concretos na vida das pessoas.
Na Amazônia e no Marajó, o acesso à água de qualidade depende menos da disponibilidade natural e mais de políticas públicas, infraestrutura e soluções adaptadas à realidade local. Isso afeta diretamente indicadores de saúde, qualidade de vida, desenvolvimento econômico e acesso à educação.
Garantir água potável nessas regiões é enfrentar desigualdades históricas. E é também reconhecer que soluções efetivas precisam considerar as características de cada território e ser construídas com quem vive essa realidade.
Diante desse cenário, soluções descentralizadas têm ganhado forma concreta no território. Em Breves, no Marajó, uma iniciativa desenvolvida pelo programa Rede+, do Instituto Mondó, atua para ampliar o acesso à água potável em comunidades rurais e também na área urbana.
Até o momento, já foram instalados nove filtros de água, sendo cinco em escolas da zona urbana e quatro em escolas da zona rural, com previsão de ampliação para mais uma unidade. A ação já beneficia cerca de 600 famílias em comunidades como São Pedro, Corcovado, São Tomé e Aprocotane, além de moradores da área urbana.
A água passa por um processo de filtragem que permite o consumo seguro, contribuindo diretamente para a melhoria da saúde e da qualidade de vida. Mais do que uma entrega pontual, a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de acompanhamento territorial do Rede+, voltada à ampliação do acesso a direitos básicos e à construção de respostas concretas para desafios estruturais.
Iniciativas como essa mostram que o debate sobre água no Marajó não precisa ficar restrito ao diagnóstico do problema. Quando há escuta, participação comunitária e soluções adaptadas ao território, é possível avançar com ações de impacto direto na vida das pessoas.

Projeto do Instituto Mondó instala filtros de tratamento em caixas d’água em escolas de Breves (PA) para abastecer estudantes e comunidade dos arredores com água tratada e de qualidade. (Foto: Everaldo Barreiros)
O debate sobre a água precisa ir além da preservação ambiental. Também é preciso falar sobre acesso à água potável, distribuição e justiça hídrica.
Na Amazônia, o maior desafio não é apenas proteger o que existe, mas garantir que essa água chegue com qualidade até as pessoas. No Marajó, a crise da água não começa quando ela falta. Começa quando ela não pode ser consumida.
É nesse ponto que o Instituto Mondó busca atuar: conectando escuta territorial, tecnologia social e articulação em rede para enfrentar problemas concretos com soluções construídas ao lado das comunidades.
Se você gostou dessas iniciativas e acredita no potencial das tecnologias sociais para transformar realidades, o Instituto Mondó está pronto para levar essas experiências para o seu território ou organização. Trabalhamos com metodologias participativas, inovação social e fortalecimento de comunidades, sempre respeitando os saberes locais. Para saber mais sobre como implementar e apoiar essas soluções, entre em contato pelo e-mail: contato@institutomondo.org.br
Evento realizado na sede da Faesp reforçou conexões estratégicas e destacou a importância das parcerias para enfrentar desigualdades sociais
O Instituto Mondó é feito por pessoas que acreditam na mudança e entendem a importância das demandas sociais e ambientais do presente que impactam no futuro.
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