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Boas práticas que transformam a educação em Breves (PA) são reconhecidas pelo Instituto Mondó

Educação 05/02/2026

O Instituto Mondó concluiu a execução do II Edital de Boas Práticas, uma iniciativa do Núcleo de Educação que teve como objetivo reconhecer, valorizar e dar visibilidade a experiências educacionais desenvolvidas no município de Breves, no Marajó. O edital destacou práticas que já vêm promovendo impactos positivos no cotidiano escolar e fortalecendo o direito à aprendizagem.

Nesta segunda edição, o edital ampliou seu alcance ao contemplar novas categorias, incluindo Boas Práticas de Alfabetização e Boas Práticas de Busca Ativa, além das já existentes. A proposta foi criar um espaço de reconhecimento para educadores e escolas que constroem soluções criativas e contextualizadas para os desafios da educação municipal.

Mobilização e participação das escolas

O II Edital de Boas Práticas foi divulgado a partir de 16 de setembro de 2025, com abertura das inscrições em 22 de setembro. O Instituto Mondó intensificou as ações de divulgação, realizando visitas a mais de 20 escolas da zona urbana de Breves e apresentando o edital diretamente às equipes gestoras.

Como resultado desse esforço, foram submetidas 19 práticas, distribuídas nas seguintes categorias:

• Boas Práticas de Alfabetização
• Boas Práticas de Gestão Escolar
• Boas Práticas Pedagógicas
• Boas Práticas Escola e Família

Na categoria Boas Práticas de Gestão Escolar, a prática vencedora foi “Da Lixeira para o Reaproveitamento” (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

Práticas premiadas e experiências reconhecidas

As iniciativas premiadas evidenciam o compromisso das escolas com uma educação que dialoga com o território, valoriza saberes locais e promove aprendizagens significativas.

Na categoria Boas Práticas de Gestão Escolar, a prática vencedora foi “Da Lixeira para o Reaproveitamento”, desenvolvida pela Escola Sete Anões. O projeto tem como foco a reutilização de papel no cotidiano escolar, promovendo a responsabilidade socioambiental e a redução de resíduos.

Segundo Odarlenice Martins, gestora da Escola Sete Anões, a iniciativa consiste na reutilização de folhas no tamanho A4 já impressas em apenas um lado, que passam a ser usadas em atividades pedagógicas, como pintura e rascunho, além de atender a demandas internas da escola. “Com a prática, foi possível reduzir entre 40% e 60% o consumo de papel novo, diminuir o volume de lixo e gerar economia de recursos públicos, ao mesmo tempo em que fortalecemos a consciência ambiental da comunidade escolar”, afirma.

Na categoria Boas Práticas Pedagógicas, o primeiro lugar foi concedido à iniciativa “Fibonacci e Paisagismo” da da Casa Familiar Rural, uma atividade interdisciplinar desenvolvida na Educação de Jovens e Adultos (EJA), integrando matemática, arte e natureza. A proposta trabalhou a Sequência de Fibonacci e o Número de Ouro, relacionando esses conceitos à paisagem, ao corpo humano e à ideia de beleza e harmonia. As atividades incluíram diálogos, explicações teóricas, uso de aplicativo para análise de proporções faciais, produção de desenhos e exposição dos trabalhos na Noite Cultural da escola. A experiência aproximou a matemática do cotidiano, valorizou os saberes dos alunos, fortaleceu a autoestima e promoveu uma aprendizagem significativa e contextualizada.

Na categoria Boas Práticas Pedagógicas, o primeiro lugar foi concedido à iniciativa “Fibonacci e Paisagismo” (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

O segundo lugar ficou com o projeto “Sustentabilidade: a Escola no Diálogo dos Saberes”, da Escola São Tomé, que articulou conhecimentos tradicionais dos campos, das florestas e das águas ao ensino de Ciências, valorizando a sociobiodiversidade e os saberes comunitários. De acordo com Leidinelma Brito, diretora da Escola São Tomé, a prática parte do reconhecimento da realidade dos estudantes como elemento central do processo educativo. “A prática propõe que a escola dialogue com a realidade do campo, da floresta e dos rios, integrando o Ensino de Ciências aos saberes que os alunos trazem de casa, como a agricultura familiar e os conhecimentos ribeirinhos. Assim, o aprendizado se torna mais significativo, valoriza a sociobiodiversidade e fortalece a identidade e a sustentabilidade do território.”

Na categoria Boas Práticas Escola e Família, destacou-se o projeto “As Relações Culturais entre Escola, Famílias e Comunidades”, desenvolvido também pela Escola São Tomé, que fortaleceu os vínculos entre escola, famílias e comunidade, valorizando a identidade cultural local e promovendo o sentimento de pertencimento.

Também pela Escola São Tomé, na categoria Boas Práticas de Alfabetização, a prática vencedora foi “A Criança Fluente na Leitura: da Mochila da Leitura à Leitura de Mundo”. O projeto desenvolve o processo de alfabetização por meio de uma metodologia ativa e afetiva, ampliando a leitura para além da escola, fortalecendo o vínculo com as famílias e valorizando as raízes marajoaras.

Todas as práticas premiadas foram contempladas com um nootbook e o valor de R$ 1.000,00.

Educação como prática coletiva

Segundo Fernanda Pinheiro, coordenadora de Voluntariado e dos núcleos de Educação e Renda do Instituto Mondó, o edital cumpre um papel estratégico ao dar visibilidade a experiências que já produzem transformação no território. “Essas práticas mostram que a educação na Amazônia acontece a partir do compromisso diário de educadores que conhecem profundamente sua realidade e constroem soluções com os recursos disponíveis. Reconhecer esse trabalho é reafirmar o compromisso do Instituto Mondó com uma educação que respeita o território, valoriza saberes locais e fortalece o direito de crianças e adolescentes a aprender com dignidade”, destaca.

Mais do que uma premiação, o II Edital de Boas Práticas reafirma o compromisso do Instituto Mondó com o fortalecimento da educação em Breves, reconhecendo e valorizando o trabalho cotidiano de educadores e escolas que constroem, na prática, caminhos possíveis para transformar realidades educacionais na Amazônia.

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