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Breves, a cidade mais populosa do Marajó e a construção de novos futuros na Amazônia

Breves 23/02/2026

Breves é um município singular no território amazônico. Situada no Arquipélago do Marajó, na região Norte do Brasil, a cidade combina tradição histórica com desafios estruturais profundos, ao mesmo tempo em que surgem iniciativas inovadoras e colaborativas para construir novos futuros para seus moradores e para toda a Amazônia.

Raízes históricas: de vila colonial a capital das ilhas
As origens de Breves

A história de Breves remonta ao período colonial brasileiro. Em 19 de novembro de 1738, o Capitão-Geral do Pará concedeu uma sesmaria aos irmãos Manuel e Ângelo Breves, que estabeleceram uma fazenda às margens do rio Parauhaú. O local evoluiu de engenho rural para vila, recebendo o nome de Sant’Ana dos Breves, e posteriormente foi elevado à categoria de cidade em 2 de novembro de 1882.

Ao longo do tempo, Breves cresceu impulsionada por sua posição estratégica no arquipélago, próxima a rotas fluviais que garantem ligação entre diversas comunidades. Hoje é reconhecida como a maior cidade do Marajó e considerada a capital das ilhas, funcionando como ponto de comércio, cultura e serviços na região.

Crescimento populacional e diversidade

Com uma área superior a 9,5 mil km² e população estimada em cerca de 116 mil habitantes em 2025, Breves concentra o maior contingente populacional do arquipélago do Marajó. Esse dado reforça seu papel como centro urbano fundamental para a formulação de políticas públicas e iniciativas sociais.

Trapiche Municipal do município de Breves (Foto: Bruno Cecim / Agência Pará)

Desafios contemporâneos: desigualdades e infraestrutura

Dimensões da desigualdade

Apesar de sua relevância regional, Breves enfrenta desafios significativos em áreas como infraestrutura, serviços públicos e qualidade de vida. Dados de diagnósticos locais indicam que apenas cerca de 1,18% das residências do município têm acesso à rede pública de esgoto, percentual muito inferior ao necessário para reduzir riscos sanitários. A proporção de médicos é de 0,17 por mil habitantes, bem abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que estabelece ao menos 1 médico por mil habitantes.

Na área da educação, os indicadores também revelam fragilidades estruturais. Apenas 32% das escolas urbanas dispõem de rede pública de água encanada, e o índice de atraso escolar alcança aproximadamente 45% dos estudantes, quase o dobro da média estadual e mais que o triplo da média nacional. Esses dados evidenciam a urgência de investimentos em serviços essenciais e políticas estruturantes voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida no município.

Economia e oportunidades

Breves demonstra dinamismo econômico em determinados setores. Em 2025, o município registrou cerca de 8,8 mil empregos formaais e acumulou saldo positivo de 181 novas vagas com carteira assinada, com destaque para comércio e serviços, segundo dados do Observatório Sebrae. Os números reforçam o potencial de crescimento local, embora sua consolidação dependa de políticas estruturantes, qualificação profissional e fortalecimento das cadeias produtivas da região.

Praça Dário Furtado em Breves, no Marajó (PA) (Foto: Bruno Cecim / Agência Pará)

Construindo novos futuros: o papel do Instituto Mondó

Uma abordagem colaborativa no território

O Instituto Mondó iniciou sua atuação em Breves em 2020, escolhendo o município como território-piloto para desenvolver uma estratégia integrada de transformação social. A organização atua a partir de quatro dimensões: Educação, Saúde, Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura.

O trabalho é realizado em parceria com escolas, comunidade, organizações públicas e privadas, sempre com foco na escuta ativa e no envolvimento direto do território.

Combate à pobreza

Um dos principais eixos estruturantes do Instituto Mondó é o programa Rede +. Desenvolvido em parceria com a Vale, o programa está alinhado à meta da companhia de apoiar 500 mil pessoas na superação da pobreza extrema até 2030, utilizando a metodologia de Acompanhamento Familiar Multidimensional (AFM). Em Breves (PA), o projeto começou com 350 famílias e, agora, soma 600 famílias marajoaras acompanhadas ao longo de 32 meses, com base nos 12 indicadores do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), originalmente criado pela ONU e adaptado à realidade local pelo Instituto Mondó.

Jornada Para o Amanhã: protagonismo juvenil e projeto de vida

A Jornada Para o Amanhã atua diretamente com adolescentes e jovens, promovendo formação socioemocional, orientação de projeto de vida e ampliação de perspectivas acadêmicas e profissionais. A iniciativa trabalha competências como autonomia, liderança e planejamento de futuro, incentivando os participantes a enxergarem possibilidades além das limitações estruturais do território. A JPA inclui campanhas de sensibilização, formações, gincanas, concursos culturais, rodas de conversa e outras ações adaptadas aos objetivos de cada edição. Ao conectar educação e propósito, o programa reforça a construção de trajetórias mais sustentáveis para a juventude marajoara.

Escolas vencedoras recebem premiações na Jornada para o Amanhã (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

Educação, juventude e inovação social

Entre as iniciativas está a Maratona de Inovação Social – MAIS Marajó, que mobiliza estudantes para pensar soluções voltadas a desafios locais, como recursos hídricos, resíduos sólidos e sustentabilidade. A proposta estimula o protagonismo juvenil e conecta a realidade da cidade a agendas globais de desenvolvimento sustentável.

Voluntariado e ações integradas

Outro eixo importante é o programa de voluntariado Afluir, que promove intercâmbios e atividades comunitárias envolvendo oficinas, atendimentos em saúde, capacitações e ações culturais. A presença de profissionais e estudantes de diferentes áreas e regiões do país fortalece redes locais e amplia o acesso a serviços e conhecimentos.

Estudantes e profissionais de diversas partes do Brasil participam de ações voluntárias promovidas pelos Instituto Mondó no município de Breves (Foto: Arquivo/ Instituto Mondó)

Protagonismo e cocriação

A metodologia do Instituto valoriza a cocriação com a comunidade. A escuta das lideranças locais, o diálogo com as escolas e o reconhecimento dos saberes do território são elementos centrais para a construção de soluções duradouras.

Foi nesse contexto que surgiu o Diagnóstico Territorial Participativo, sistematizado na metodologia RUMO, uma ferramenta que organiza dados quantitativos e qualitativos para compreender desafios, potencialidades e prioridades locais. O diagnóstico não se limita à coleta de informações, mas funciona como instrumento de mobilização social e planejamento estratégico, permitindo que decisões sejam tomadas com base na realidade vivida pela comunidade.

Ao integrar dados, escuta e participação ativa, o RUMO fortalece o protagonismo local e amplia a capacidade de construção coletiva de soluções, alinhando desenvolvimento social a evidências concretas do território.

Perspectivas e caminhos possíveis

Breves vive um momento marcado por desafios e potencialidades. Como maior cidade do Marajó, exerce papel estratégico na região e carrega a responsabilidade de liderar processos de desenvolvimento.

A atuação do Instituto Mondó, aliada a políticas públicas e ao engajamento comunitário, indica que é possível construir novos futuros a partir da educação, da inovação social e da participação ativa da população. O caminho é complexo, mas aponta para uma perspectiva concreta de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

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