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A experiência de voluntariado proporcionada pelo programa de intercâmbio Afluir, do Instituto Mondó, continua reverberando para além do território amazônico. Dois estudantes e uma professora de medicina da IDOMED transformaram em produção científica a imersão realizada em Breves, no Marajó, e apresentaram seus trabalhos no 63º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), que aconteceu em Natal (RN), entre os dias 11 e 13 de setembro.
Inspirados pela vivência em campo, os relatos de experiência destacam como a escuta ativa, a valorização dos saberes tradicionais e o compromisso social são elementos fundamentais para uma prática médica mais humana e transformadora.
Amazônia: um despertar de consciência na formação médica
No trabalho assinado por David Ximenes, Gabriela Gruber e a professora Amanda Machado, os autores relatam a vivência no Marajó como um exercício de empatia e sensibilidade cultural. Durante sete dias, os voluntários participaram de oficinas sobre saúde mental da mulher, empreendedorismo e cuidados dermatológicos, visitaram comunidades ribeirinhas e conheceram de perto a atuação de parteiras tradicionais.
“Para mim, como estudante de medicina, participar do intercâmbio Mondó foi um despertar de consciência, foi poder conhecer um Brasil mais profundo onde o acesso à saúde básica é escasso. Essa vivência me mostrou que ser médico é muito mais do que dominar técnicas — é sobre estar aberto ao encontro humano, compreender realidades diversas e se comprometer com a justiça social”, afirma David Ximenes.
Escuta e cuidado em territórios invisibilizados
Já no outro trabalho, assinado desta vez somente por David Ximenes e Gabriela Gruber, o foco recai sobre a roda de conversa realizada com mulheres ribeirinhas atendidas por um centro especializado em Breves. A atividade foi conduzida em parceria com um psicólogo e trouxe reflexões sobre autoestima, autocuidado e redes de apoio.
Gabriela destaca sua participação no intercâmbio voluntário. “Foi um momento em que percebi como a escuta e o cuidado coletivo podem ser tão transformadores quanto qualquer procedimento médico. Essa vivência me mostrou que ser médica também é estar disposta a aprender com o outro, a valorizar as histórias e a fortalecer vínculos que geram saúde e pertencimento”, afirma.
Transformação mútua
As duas publicações reforçam o propósito do Instituto Mondó com o programa Afluir: promover encontros que transformam tanto a realidade das comunidades atendidas quanto a formação dos futuros profissionais da saúde. Ao unir ciência, cultura e compromisso social, os estudantes ampliam seu olhar para uma medicina que vai além da técnica, integrando humanidade, respeito e pertencimento.
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