Chegou a hora de abandonar esses seis mitos ultrapassados sobre o Norte do Brasil — o último vai te surpreender!
Com os olhos do mundo voltados para a Amazônia, já passou da hora de repensar alguns conceitos ultrapassados sobre essa região do país
Quando pensamos em pobreza, muitas vezes a associamos apenas à falta de dinheiro ou à renda baixa. No entanto, a pobreza é mais do que isso. Ela se manifesta em diversas áreas da vida e afeta o bem estar das pessoas de maneiras interligadas. É nesse contexto que surge o conceito de pobreza multidimensional, uma forma mais completa e realista de compreender o que significa viver sem acesso às condições básicas para uma vida digna.
O termo multidimensional indica que a pobreza não pode ser explicada por um único fator. Ela envolve várias dimensões da vida humana. Isso significa que medir apenas a renda não é suficiente para identificar quem vive em situação de pobreza e quais são os impactos reais dessa condição. A pobreza multidimensional reconhece que uma pessoa pode sofrer privações simultâneas em áreas como saúde, educação, moradia e acesso a serviços essenciais.
Um dos principais instrumentos utilizados no mundo para medir a pobreza multidimensional é o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI).
Esse índice avalia diferentes dimensões do bem estar humano, organizadas principalmente em três grandes áreas. A dimensão da saúde considera indicadores como nutrição adequada e mortalidade infantil. A educação observa aspectos como anos de estudo e frequência escolar. Já o padrão de vida inclui fatores como acesso à água potável, saneamento básico, eletricidade, moradia adequada e bens essenciais.
Uma pessoa ou família é considerada em situação de pobreza multidimensional quando enfrenta privações em vários desses indicadores ao mesmo tempo, e não apenas quando possui baixa renda.
A pobreza multidimensional amplia o olhar sobre a realidade social. Ela permite identificar privações que não aparecem quando a análise se limita à renda. Muitas pessoas podem até ter algum rendimento, mas ainda assim viver sem saneamento adequado, acesso regular à saúde ou educação de qualidade.
Além disso, esse conceito ajuda a compreender a intensidade da pobreza, mostrando não apenas quem vive em situação de vulnerabilidade, mas o quanto essas pessoas são afetadas por diferentes carências simultâneas.
Outro ponto central é a contribuição para políticas públicas mais eficazes. Ao identificar quais dimensões da vida estão mais comprometidas em determinado território, governos e organizações podem planejar ações mais direcionadas, eficientes e alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, que propõem erradicar a pobreza em todas as suas formas.
Na Amazônia, e especialmente no Arquipélago do Marajó, a pobreza se manifesta de forma complexa e interligada, indo além da falta de renda. Dificuldades de acesso a serviços públicos, desafios ambientais, limitações de infraestrutura e desigualdades históricas fazem com que diferentes privações se acumulem no cotidiano das famílias.
Para compreender essa realidade de forma mais precisa, o Instituto Mondó adaptou o Índice de Pobreza Multidimensional à realidade local por meio do programa Rede+, inserido no programa de combate à pobreza extrema da Vale. A aplicação do IPM considera aspectos específicos do território, como acesso a serviços básicos e meio ambiente, permitindo um diagnóstico mais fiel e comparável com outras regiões de atuação.
No Rede+, o IPM é utilizado como uma ferramenta estratégica de diagnóstico e intervenção. Entre os indicadores analisados estão a presença de crianças fora da escola e a atualização do Cadastro Único, essencial para o acesso a políticas públicas e benefícios sociais. A partir desses dados, a equipe realiza busca ativa, acompanha as famílias e orienta ações que fortalecem o acesso à educação, à proteção social e a outros direitos básicos.
Atualmente, 600 famílias em situação de maior vulnerabilidade são acompanhadas pelo programa, com monitoramento periódico dos indicadores e ajustes contínuos das estratégias de intervenção. Esse acompanhamento permite avaliar avanços, identificar lacunas e garantir que as ações estejam alinhadas às necessidades reais de cada núcleo familiar.
Mais do que uma métrica, o IPM se consolida como uma ferramenta de transformação social, orientando ações integradas que contribuem para a redução da pobreza e para a construção de oportunidades de desenvolvimento mais justo e sustentável no Marajó.
A pobreza multidimensional amplia a compreensão sobre o que significa viver em situação de vulnerabilidade. Ela reforça que dignidade não se resume à renda, mas envolve acesso a direitos, oportunidades e condições básicas para o pleno desenvolvimento humano.
Ao adotar esse olhar mais amplo, torna-se possível construir soluções mais humanas, eficazes e alinhadas às realidades locais, fortalecendo políticas e ações capazes de transformar territórios de forma sustentável.
Com os olhos do mundo voltados para a Amazônia, já passou da hora de repensar alguns conceitos ultrapassados sobre essa região do país
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