Intercâmbio Mondó: estudantes de medicina de São Paulo se voluntariam em experiência imersiva na Amazônia
Intercâmbio promovido pelo Instituto Mondó levou jovens da UNIP a vivência de transformação social no Marajó
De forma inédita, o Intercâmbio Mondó teve, no segundo semestre de 2025, dois capítulos: o primeiro, entre os dias 13 a 17 de julho, quando estudantes de Medicina da Universidade Paulista (UNIP) estiveram na comunidade de Breves. A ação é decorrente de uma parceria entre o instituto e a UNIP.
Já entre os dias 20 e 24 de julho, um segundo grupo – em parte, formado por voluntários que atenderam ao Edital de Chamamento 2025/2 e por estudantes de Medicina do IDOMED (Instituto de Educação Médica), cuja participação também é resultado de parceria entre a instituição e o Instituto Mondó – esteve na região.
Acompanhados por uma equipe majoritariamente composta por marajoaras que atuam no instituto, os voluntários puderam vivenciar experiências transformadoras ao participar de diversas atividades em comunidades do município de Breves.
Nessa segunda semana, o grupo era formado por seis estudantes e uma professora de Medicina do IDOMED, além de dois fisioterapeutas, um estudante de Letras da UFPA (Universidade Federal do Pará), dois professores e uma enfermeira.
Eles foram responsáveis por atividades realizadas nas comunidades de Corcovado e São Pedro, além da região urbana da cidade. No período em que estiveram na região, eles realizaram atendimentos médicos e fisioterapêuticos, ofereceram palestras educativas sobre primeiros socorros e ISTs, e promoveram iniciativas de alfabetização e letramento digital.
Essas ações não só fortaleceram os laços com as comunidades, mas também deixaram um legado de conhecimento, saúde e inclusão, demonstrando o poder da colaboração e do engajamento social.
Para a médica e professora Amanda Machado, integrante do Núcleo de Inclusão, Diversidade e Humanização (NIDH) do IDOMED, a experiência no território representou uma “poderosa lição sobre saúde, resistência e humanização na medicina”.
Amanda acompanhou os alunos durante as atividades nas comunidades de Breves. A participação do grupo no Intercâmbio Mondó foi custeada pelo IDOMED.
“Ver de perto a realidade do Brasil profundo, onde a falta de acesso à saúde exige uma luta diária pela sobrevivência, foi a melhor aula que eu poderia oferecer aos meus alunos”, relata Amanda. “Este voluntariado reforçou o que sempre defendi como médica e educadora: a medicina de excelência vai além da técnica — ela exige que nos conectemos com as pessoas, compreendendo suas histórias e nos deixando transformar por elas”, completa.
A docente também mencionou as desigualdades regionais, como a escassez de recursos e as longas distâncias percorridas por pacientes em busca de atendimento, como aspectos que trouxeram lições importantes ao grupo sobre a força e a resiliência das comunidades marajoaras.
“O povo da Amazônia nos ensinou sobre esperança e reinvenção. Quem se inscrever nesse voluntariado precisa ir de coração aberto, porque volta cheio de aprendizados e afeto. Foi uma experiência que nos fortaleceu e inspirou a ser agentes de mudança”, frisa a professora.
A vivência nas comunidades de Breves deixou marcas profundas nos voluntários do intercâmbio Mondó, como relata Camila Souza, 26 anos, estudante de Medicina do Idomed, que viajou do Rio de Janeiro até o Marajó. “O que mais me chamou a atenção foi a força das pessoas e a receptividade conosco. A resiliência, a forma de lidar com as situações, mesmo tendo diversas vulnerabilidades é algo que nos emociona. O encontro com um grupo de crianças de Corcovado me marcou muito, pois elas têm um olhar de pureza, de curiosidade que é lindo de testemunhar”, afirma.
“Vou levar muitos aprendizados dessa viagem. Eu acho que serei uma pessoa mais grata, mais compreensiva e com a certeza de que preciso fazer a diferença e ajudar o meu próximo”, completa a estudante, emocionada.
Assim como Camila, outros voluntários compartilharam sentimentos profundos sobre a experiência em Breves. Pan Duarte, graduada em Letras de Roraima, refletiu sobre a realidade local a partir de uma perspectiva individual, uma vez que ela também é da região Norte. “O que mais me tocou foi perceber a força que o amazônida tem. Mesmo em meio às dificuldades, à falta de assistência social, governamental e médica, as pessoas são felizes e conseguem tocar a vida. Essa é uma resistência que só encontramos aqui na Amazônia e que eu, enquanto mulher amazônida, me identifico muito”, frisa.
O Intercâmbio Mondó é realizado duas vezes ao ano, em janeiro e julho, e propõe uma imersão no bioma amazônico. Segundo Júlia Jungmann, diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Mondó, o programa oferece a estudantes de diferentes regiões do Brasil a chance de vivenciar a Amazônia em profundidade. “Enquanto esses voluntários doam seu conhecimento técnico e empático, também recebem saberes, aprendizados e lições de vida”, explica.
Ela também ressalta que os jovens se depararam com comunidades sem saneamento básico, o que impacta diretamente a saúde da população. Problemas intestinais e doenças de pele são alguns dos efeitos observados. “A partir dessas experiências, esses futuros profissionais desenvolvem senso crítico, postura mais humanizada e empatia. O Intercâmbio Mondó é uma oportunidade de construção de cidadania”, completa.
Além da edição de julho, o Instituto Mondó segue trabalhando na expansão do programa, com o desenvolvimento de novas modalidades de intercâmbio, incluindo propostas voltadas ao voluntariado corporativo. A ideia é oferecer experiências de impacto social e ambiental a empresas e organizações interessadas em engajar seus colaboradores com propósito, alinhadas às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social (ESG).
(Fotos: Everaldo Barreiros / Instituto Mondó)
Intercâmbio promovido pelo Instituto Mondó levou jovens da UNIP a vivência de transformação social no Marajó
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