Tecnologia social leva produção de alimentos e autonomia a famílias rurais do Marajó

Parceria entre Instituto Mondó e Embrapa capacitou comunidades amazônicas em modelo sustentável de produção

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Tecnologia social leva produção de alimentos e autonomia a famílias rurais do Marajó

Uma tecnologia social voltada à transformação das realidades no campo foi aplicada em comunidades rurais do arquipélago do Marajó. Entre 25 de janeiro e 05 de fevereiro de 2026, o Instituto Mondó, em parceria com a Embrapa, a Estação Conhecimento Arari e a Vale, promoveu o curso Unidade de Referência Tecnológica do Sisteminha Embrapa.

A formação, com carga horária de 60 horas, reuniu 35 participantes de comunidades ribeirinhas e rurais das localidades de Corcovado, São Pedro, Lixão Centro e São Tomé, além de integrantes da Cooperativa de Agricultura Familiar e Agroextrativista Regional (CAFAR) e da Secretaria Municipal de Agricultura de Breves (SEMAGRI).

Criado pela Embrapa, o Sisteminha é uma tecnologia social de produção integrada de alimentos que combina criação de peixes, produção de hortaliças, criação de pequenos animais e reaproveitamento de resíduos orgânicos em um mesmo sistema. De acordo com Afonso Queiroz, representante da Embrapa, “o foco central da metodologia é garantir alimento às famílias, com a possibilidade de comercialização ou troca do excedente.”

O tanque no Sisteminha da Embrapa é o componente responsável pela criação de peixes que integra e fortalece os demais módulos do sistema. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

O modelo baseia-se no princípio do ciclo fechado, no qual os resíduos de uma etapa da produção são reaproveitados em outra, reduzindo custos, desperdícios e impactos ambientais. Segundo Queiroz, “os módulos do sistema podem ser adaptados à realidade de cada território, permitindo produção escalonada e colheitas contínuas ao longo do ano.”

Para quem vive a realidade do campo, os impactos vão além da técnica. Agricultora e participante da formação, Eunice Costa destaca que a iniciativa pode trazer mudanças concretas no cotidiano das famílias. “Agora, nós teremos oportunidade de ter alimento disponível com facilidade”, afirma. Segundo ela, a produção própria reduz a dependência de compras externas e fortalece o compartilhamento de alimentos na comunidade.

Com o Sisteminha, as famílias passam a contar com alimentos como peixe, ovos, hortaliças e temperos produzidos de forma contínua. “Poder colher aquilo que nós mesmos plantamos e construímos é uma maravilha”, resume Eunice.

Participantes da formação construindo estruturas que compõem o Sisteminha (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

A atuação conjunta entre instituições também foi ressaltada pela Secretaria Municipal de Agricultura de Breves. Para Fernanda Reis, representante da SEMAGRI, o Sisteminha é uma ferramenta estratégica para atender famílias em situação de vulnerabilidade social. “Estamos reforçando esses conhecimentos para levar essa prática às famílias atendidas pela Secretaria”, explica. Segundo ela, a parceria com a Embrapa e o Instituto Mondó amplia o alcance das ações no território.

Durante o curso, os participantes aprenderam sobre a implantação e o manejo do sistema, a gestão da produção e as possibilidades de geração de renda, transformando o conhecimento técnico em uma ferramenta concreta de autonomia.

Agricultora participa da construção do Sisteminha, tecnologia social da Embrapa que integra criação de peixes, produção de hortaliças e pequenos animais para fortalecer a segurança alimentar e a autonomia das famílias rurais. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)

A escolha pelo Sisteminha partiu da leitura do território e dos desafios enfrentados pelas famílias em relação à alimentação. Franci Lima, coordenadora do Núcleo de Moradia, Água e do Núcleo de Saúde do Instituto Mondó, explica que a atuação da organização no Marajó, especialmente em Breves, motivou a adoção de uma tecnologia já testada e validada no Brasil e no exterior. “Com isso, contribuímos diretamente para melhorar as condições de vida dessas famílias e ajudá-las a sair da situação de insegurança alimentar”, afirma.

A iniciativa integra a atuação do Instituto Mondó no eixo de Moradia, Energia e Água, conectando ciência, território e saberes locais para fortalecer comunidades amazônicas e promover soluções duradouras no combate à insegurança alimentar no Marajó.

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