Instituto Mondó reúne parceiros para construir caminhos de inclusão produtiva no Marajó
Evento juntou diferentes setores para discutir caminhos de geração de renda, segurança alimentar e desenvolvimento a partir das potencialidades do Marajó
O Instituto Mondó reuniu parceiros, instituições e representantes do setor produtivo no II Encontro de Parceiros para discutir como transformar as potencialidades dos territórios em oportunidades concretas de desenvolvimento. Com o tema “Da floresta à prateleira: inclusão produtiva como motor do desenvolvimento”, o encontro buscou aproximar diferentes atores em torno de soluções para desafios relacionados à produção, comercialização, distribuição, consumo e segurança alimentar.
A iniciativa dá continuidade ao primeiro encontro, realizado em 2025, quando a organização passou a se apresentar como Instituto Mondó. Nesta edição, além de fortalecer os vínculos construídos ao longo da trajetória da instituição, a proposta foi ampliar a articulação com novos parceiros e avançar na construção de uma agenda de desenvolvimento territorial.
Da floresta à prateleira
O tema do encontro parte de uma realidade presente em diferentes territórios vulneráveis: comunidades produzem, cultivam e extraem recursos naturais, mas ainda convivem com pobreza e insegurança alimentar.
No Marajó, essa realidade pode ser observada a partir do trabalho desenvolvido pelo Instituto Mondó em Breves. Em 2023, 78,53% das famílias acompanhadas pelo Instituto apresentavam algum tipo de violação relacionada à insegurança alimentar. Ao final de 2025, o indicador havia caído para 35,58%, evidenciando uma redução importante ao longo do período acompanhado.
Para o Mondó, enfrentar a pobreza exige ir além do diagnóstico e criar condições para que os recursos, conhecimentos e capacidades existentes nos territórios possam gerar renda, trabalho, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.
No Marajó, isso passa pelo fortalecimento de cadeias produtivas como as do açaí, cacau nativo, pesca, mandioca, produtos derivados do búfalo, madeira e palmito. Apesar das oportunidades existentes, produtores ainda enfrentam desafios relacionados à organização, ao beneficiamento local e ao acesso aos mercados.

Neide Montezano, presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias (ABMAPRO) e vice-presidente do Instituto Mondó. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
É nesse ponto que a inclusão produtiva entra como estratégia de desenvolvimento: aproximar quem produz de quem pode oferecer conhecimento, recursos, políticas públicas, conexões e acesso a mercados.
Para Neide Montezano, presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias (ABMAPRO) e vice-presidente do Instituto Mondó, a construção conjunta é fundamental para ampliar o alcance desse trabalho.
“O Instituto é muito importante para nós porque temos a oportunidade de apoiar um trabalho que já não é mais apenas um projeto, mas uma iniciativa consolidada, que realiza um trabalho muito importante para a sociedade brasileira. Tenho a honra e a satisfação de fazer parte dessa história e desse ecossistema.” diz Montezano.
Parcerias para transformar potencial em oportunidade
A programação do II Encontro incluiu um painel sobre inclusão produtiva, reunindo representantes do território, especialistas em rastreabilidade e bioeconomia e parceiros que atuam com investimento social.
A discussão partiu de uma pergunta central: o que impede que produtos da bioeconomia cheguem ao mercado formal e quem pode contribuir para mudar essa realidade?
A resposta passa pela articulação entre diferentes setores. Para João Mendes da Rocha Neto, representante do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a participação da sociedade civil é fundamental para aproximar as políticas públicas das realidades locais.
“Entendemos que não se faz política pública sem a participação e a coparticipação da sociedade civil. Nesse sentido, o Instituto Mondó é parte importante desse tecido da sociedade civil, ajudando o poder público a implementar políticas e a chegar de maneira mais efetiva aos territórios.”

Parceiros do Instituto Mondó reúnem-se para construir caminhos de inclusão produtiva no Marajó. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
Essa atuação também vem ganhando escala. Pela primeira vez, o Instituto Mondó está presente nos 18 municípios do Arquipélago do Marajó, em parceria com o GAEPE Marajó, iniciativa que atua no fortalecimento de políticas públicas. Entre as frentes de trabalho está o apoio aos municípios na implementação de seus Planos Municipais pela Primeira Infância.
Do Marajó para outros territórios
O encontro também representa um novo momento da atuação do Instituto Mondó, que busca levar a experiência construída no Marajó para outros contextos de vulnerabilidade no Brasil.
Durante a programação, foi apresentado um estudo sobre o desenvolvimento econômico no Marajó, elaborado por economistas parceiros. O levantamento busca compreender o cenário regional e identificar caminhos para contribuir com a superação da insegurança alimentar e fortalecer a inclusão produtiva, especialmente de pequenos agricultores e agricultores familiares.
“Esse estudo nos ajuda a compreender melhor o cenário econômico do território e a identificar caminhos para contribuir com a superação da insegurança alimentar e fortalecer a inclusão produtiva, especialmente de pequenos agricultores e agricultores familiares”, explica Júlia Jungmann, diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Mondó.

Júlia Jungmann, diretora de desenvolvimento institucional do Instituto Mondó. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
A experiência do Marajó mostra que transformar recursos e capacidades locais em desenvolvimento exige mais do que reconhecer as riquezas existentes. É preciso criar condições para que elas gerem renda, segurança alimentar e qualidade de vida para as populações locais.
Com o II Encontro de Parceiros, o Instituto Mondó reforça uma estratégia baseada na articulação entre sociedade civil, poder público, setor produtivo e parceiros. A proposta é que essa articulação ajude a transformar o que o território já produz e conhece em oportunidades concretas de renda, segurança alimentar e qualidade de vida para quem vive no Marajó.
Se você gostou dessas iniciativas e acredita no potencial das tecnologias sociais para transformar realidades, o Instituto Mondó está pronto para levar essas experiências para o seu território ou organização. Trabalhamos com metodologias participativas, inovação social e fortalecimento de comunidades, sempre respeitando os saberes locais. Para saber mais sobre como implementar e apoiar essas soluções, entre em contato pelo e-mail: contato@institutomondo.org.br
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