Do caroço de açaí a aplicativo contra o desperdício: jovens do Marajó criam soluções para desafios do território
Segunda edição da MAIS Marajó reuniu 31 participantes em Breves para desenvolver iniciativas sobre economia circular, moradia e insegurança alimentar; três equipes foram premiadas e receberão recursos para avançar com os projetos
Transformar desafios vividos no território em soluções criadas por quem conhece de perto a realidade do Marajó. Esse foi o desafio de 31 jovens que participaram da segunda edição da MAIS Marajó, Maratona de Inovação Social realizada pelo Instituto Mondó, com execução metodológica da Hope Aceleradora de Ideias, em Breves.
Ao longo de três dias, entre 22 e 24 de setembro, os participantes trabalharam na criação de propostas relacionadas a problemas sociais e ambientais da região. A edição deste ano teve como eixos temáticos insegurança alimentar, moradia e economia circular, levando os jovens a pensar em alternativas que pudessem responder a necessidades do próprio território.
A partir de oficinas, dinâmicas colaborativas e ferramentas de inovação social, os participantes passaram pelas etapas de identificação dos problemas, construção das propostas e desenvolvimento das soluções. Para Fernanda Pinheiro, coordenadora dos núcleos de Desenvolvimento Econômico e Educação do Instituto Mondó, a experiência vai além da elaboração de um projeto específico.
“A maratona propõe um processo em que os participantes precisam observar o território, entender melhor os problemas e tomar decisões a partir disso. O que nos interessa é criar condições para que esses jovens desenvolvam ferramentas que possam levar para outros desafios, dentro e fora da maratona, e se reconheçam como capazes de construir respostas para questões que fazem parte do seu cotidiano”, afirma.

A iniciativa contou com inscrição de 31 jovens do município de Breves (PA) participaram da II Maratona de Inovação Social. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
Do caroço de açaí a soluções para moradia e alimentação
Ao final da maratona, três equipes foram selecionadas pela banca avaliadora e receberam recursos para dar continuidade às ideias desenvolvidas durante o encontro.
O primeiro lugar, no eixo de Economia Circular, ficou com um projeto que propõe o reaproveitamento do caroço de açaí para a produção de diferentes itens, como biojoias, adubo e cestos. A iniciativa busca transformar um resíduo abundante no território em matéria-prima para novos produtos, combinando reaproveitamento de materiais e possibilidades de geração de renda. A equipe recebeu R$ 7 mil para o desenvolvimento do projeto.
Na segunda colocação, no eixo de Moradia, ficou o projeto de produção de sacolas reutilizáveis (ecobags) como alternativa ao uso de sacolas plásticas. A proposta pretende estimular práticas de consumo mais sustentáveis e contribuir para a redução da geração de resíduos. A equipe recebeu R$ 5 mil.
O terceiro lugar, no eixo de Insegurança Alimentar, foi para uma proposta de aplicativo para doação de alimentos. A ideia é criar uma ferramenta capaz de aproximar pessoas ou instituições que possuem alimentos disponíveis de quem precisa deles, contribuindo para reduzir desperdícios e ampliar o acesso à alimentação. A equipe recebeu R$ 3 mil.

Kess Jones, representante da Hope Aceleradora de Ideias, em diálogo sobre inovação social com jovens do Marajó. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
Para Kess Jones, representante da Hope Aceleradora de Ideias, a construção das propostas também é uma oportunidade para que os participantes compreendam, na prática, como uma ideia pode ser desenvolvida a partir de testes e ajustes.
“Quando existe espaço para experimentar, testar uma ideia e perceber que ela pode precisar de mudanças, o aprendizado acontece de uma forma muito concreta. Durante a maratona, os participantes foram provocados a sair de uma percepção inicial sobre um problema e construir propostas que pudessem ser discutidas, aprimoradas e apresentadas. Esse percurso aproxima o aprendizado da realidade e mostra que uma solução também nasce de perguntas, testes e ajustes”, explica.
Equipe vencedora aposta no reaproveitamento do caroço de açaí
Integrante da equipe que conquistou o primeiro lugar, Nadia Medeiros acompanhou de perto o processo de transformar o caroço de açaí em matéria-prima para novos produtos. Para ela, a maratona ajudou o grupo a olhar de outra forma para um material presente no cotidiano do território.
“No começo, a gente tinha a ideia de aproveitar o caroço do açaí, mas foi durante a maratona que começamos a pensar em como transformar isso em algo que realmente pudesse ser desenvolvido. Tivemos que organizar melhor a proposta, ouvir outras pessoas e pensar em diferentes possibilidades para o material. Foi um processo que fez a gente enxergar que algo que muitas vezes é visto só como descarte também pode virar uma oportunidade para criar produtos”, conta.

A iniciativa do grupo premiado em 1º lugar busca transformar um resíduo abundante no território em matéria-prima para novos produtos, combinando reaproveitamento de materiais e possibilidades de geração de renda. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
Projetos seguem para etapa de mentoria e desenvolvimento
Além da premiação financeira, as três equipes vencedoras seguirão para uma nova etapa da MAIS Marajó, com mentorias e acompanhamento especializado entre outubro e novembro. O objetivo é aprofundar as ideias desenvolvidas durante a maratona, validar hipóteses, aprimorar os projetos e avançar na construção de soluções com potencial de implementação no território.
A jornada será encerrada durante o Festival Mondó, previsto para o final de novembro, quando as equipes deverão apresentar a evolução dos projetos, os aprendizados obtidos ao longo do processo e os próximos passos para o desenvolvimento das soluções.
Na segunda edição, os participantes tiveram contato com metodologias como Design Thinking, Teoria da Mudança, modelagem de negócios de impacto, prototipagem, storytelling e construção de pitch, além de atividades de trabalho colaborativo e desenvolvimento de competências empreendedoras.

Foram três dias de oficinas, dinâmicas colaborativas e ferramentas de inovação social. (Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
A MAIS Marajó é realizada pelo Instituto Mondó, com execução metodológica da Hope Aceleradora de Ideias, e busca fortalecer o ecossistema local de inovação e criar oportunidades para que jovens do arquipélago participem diretamente da construção de soluções para os desafios de seus territórios.
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