Saúde mental e vínculos comunitários: PROA realiza 13 rodas de conversa em Breves
Atividades do Instituto Mondó reuniram 121 participações entre julho e setembro de 2026, com encontros em instituições sociais, serviços de saúde e comunidades do município.
Criar espaços de escuta e acolhimento é uma das estratégias para ampliar o diálogo sobre saúde mental nos territórios. Em Breves, no arquipélago do Marajó, o Programa de Orientação e Acolhimento (PROA), do Instituto Mondó, realizou 13 rodas de conversa entre julho e setembro de 2026, totalizando 121 participações.
As atividades aconteceram em diferentes espaços de convivência, incluindo organizações sociais, serviços de saúde, instituições de atendimento e grupos de jovens. A proposta foi estimular o compartilhamento de experiências, a reflexão sobre os desafios cotidianos e o fortalecimento das redes de apoio, aproximando a discussão sobre saúde mental das realidades vivenciadas pelos participantes.
Rodas de conversa alcançam diferentes públicos
Em julho, foram realizados quatro encontros, com 33 participações. As atividades aconteceram no escritório do Instituto Mondó, com colaboradores da organização, na sede do Movimento pela Inclusão no Marajó (MIM), na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e na Unidade Básica de Saúde Elziane Carmo, no território Riacho Doce II. Cada um desses lugares contam com um Espaço PROA.
No mês seguinte, cinco rodas de conversa reuniram 43 participantes. Além dos espaços contemplados em julho, a programação incluiu o CEDEP, com o grupo de jovens do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA).
A diversidade dos locais permitiu abordar a saúde mental em contextos distintos, considerando as experiências e as características de cada público. A realização dos encontros em espaços já frequentados pelos participantes também favoreceu a aproximação das atividades com suas rotinas e relações comunitárias.
Setembro Multicolorido reforça o diálogo sobre saúde mental
Em setembro, outras quatro rodas de conversa somaram 45 participações e integraram a programação do Setembro Multicolorido, com foco na valorização da vida, no respeito à diversidade e no fortalecimento das redes de apoio.
Os encontros ocorreram na sede do MIM, na APAE, na Comunidade Nossa Senhora de Nazaré e no CEDEP, com a participação do grupo de jovens do NUCA.

(Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
A programação ampliou as oportunidades de reflexão sobre saúde mental em diferentes ambientes comunitários. Ao compartilhar vivências e perspectivas, os participantes puderam dialogar sobre questões do cotidiano, relações interpessoais e possibilidades de apoio.
Escuta e relações sociais também fazem parte do cuidado
A saúde mental está relacionada a diferentes dimensões da vida, incluindo as condições sociais, as relações interpessoais e o acesso a espaços de acolhimento. Nesse contexto, as rodas de conversa podem contribuir para reconhecer necessidades, compartilhar experiências e identificar possibilidades de apoio no cotidiano.
Para Ailton Ramos, consultor psicológico do Instituto Mondó, esses espaços têm um papel que vai além da expressão de sentimentos.
“Esses espaços permitem reconhecer experiências, identificar necessidades e refletir sobre as formas de apoio presentes na vida cotidiana”, destaca.
A perspectiva considera que o cuidado não depende exclusivamente de iniciativas individuais. As relações construídas nos ambientes familiares, sociais e comunitários também fazem parte do contexto em que as pessoas enfrentam desafios e buscam apoio. Embora não substituam o acompanhamento especializado quando necessário, atividades coletivas de escuta podem integrar estratégias mais amplas de promoção da saúde mental.
Atuação territorial exige atenção a diferentes realidades
A realização das atividades em organizações sociais, serviços de saúde, comunidades e espaços de participação juvenil evidencia a importância de considerar as particularidades de cada público. As experiências e necessidades de um grupo de adolescentes, por exemplo, podem diferir daquelas vivenciadas por colaboradores de uma instituição ou por pessoas atendidas em um serviço social.
Por isso, a atuação territorial requer sensibilidade para compreender os contextos em que as ações acontecem e evitar abordagens uniformes para realidades distintas.
“Levar a discussão sobre saúde mental a diferentes espaços exige compreender as particularidades de cada público e contexto”, afirma Ailton Ramos.
Essa perspectiva orienta a importância de aproximar o debate sobre saúde mental dos ambientes em que as pessoas estabelecem vínculos e compartilham experiências. Ao longo do trimestre, as rodas de conversa do PROA promoveram oportunidades de diálogo em diferentes espaços de Breves, contribuindo para manter o tema presente nas relações comunitárias.

(Foto: Arquivo / Instituto Mondó)
PROA mantém ações de promoção da saúde mental em Breves
Entre julho e setembro, as 13 rodas de conversa registraram 121 participações: 33 em julho, 43 em agosto e 45 em setembro. O número representa o total de participações contabilizadas nas atividades, não necessariamente a quantidade de pessoas únicas alcançadas.
Os resultados do período demonstram a continuidade das ações e a presença do programa em diferentes instituições e comunidades do município. A iniciativa reforça a importância de estratégias territorializadas que considerem as relações sociais, as experiências individuais e as redes de apoio como elementos relevantes para a promoção da saúde mental.
O Programa
O PROA é uma iniciativa do Instituto Mondó focada em transformar escolas e outros espaços da comunidade em lugares de promoção da saúde mental de crianças, adolescentes e jovens de territórios que enfrentam desafios sociais.
Atuamos na formação de profissionais das áreas de educação, saúde e assistência social multiplicadores para identificar e acolher vítimas de agressão e abuso. Nossas ações são fundamentadas em evidências, a partir de estudos científicos que correlacionam violência e sintomas depressivos em adolescentes marajoaras. Utilizamos a escola como o principal hub para detecção precoce e suporte psicológico.
Já capacitamos 70 profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social como multiplicadores de uma série de técnicas e ferramentas para a promoção da saúde mental de milhares de crianças e adolescentes.
Apoie
Se você gostou dessas iniciativas e acredita no potencial das tecnologias sociais para transformar realidades, o Instituto Mondó está pronto para levar essas experiências para o seu território ou organização. Trabalhamos com metodologias participativas, inovação social e fortalecimento de comunidades, sempre respeitando os saberes locais. Para saber mais sobre como implementar e apoiar essas soluções, entre em contato pelo e-mail: contato@institutomondo.org.br
O que é racismo ambiental: impactos e como combatê-lo
Você já parou para pensar por que os impactos das crises climáticas e da degradação da natureza não afetam a todos da mesma maneira? No...